
Atuar: Consiste em imprimir, por meio de diversas técnicas, ou mesmo da pura intuição, vida e realidade a um personagem. Muitas vezes tida como fruto da inspiração ou da racionalização das emoções, é a parte específica dos artistas da cena, e que nesta aparecem, diferentemente de dramaturgos e diretores.
O que nos deixa mais feliz com este blog é poder desmistificar várias questões relacionadas ao cinema digital a partir das nossas aventuras e desventuras na área. E atuação tem um gosto todo especial, pois está diretamente ligada a base do Pensamentos Filmados. Tanto pela formação inicial que Ana Maria e eu tivemos, quanto pela importância que existe no trabalho do ator, tão imprescindível dentro de um filme, mas muitas vezes tão menos respeitado que o tripé da câmera.
O ofício do ator se deu com o surgimento do teatro há milhares de anos atrás. Até hoje existem várias teorias sobre a origem do teatro, mas nenhuma delas com comprovação exata. O primeiro ator de que se tem registro surgiu na Grécia Antiga e chamava-se Tespis. Ele criou um monólogo que fazia críticas à sociedade, apresentando-o munido de máscaras e vestido com uma túnica.
A idéia de um espaço onde um ator representa uma ação a partir de um texto, que possa entreter e conscientizar o público sobre questões humanas e sociais, foi se espalhando pelos continentes ao longo dos séculos até hoje, e tomara Deus (e a coragem dos atores), este ofício durará para sempre.
Lá por volta de 1860 nascia na Rússia uma figura de nome estranho, Constantin Siergueieivitch Alexeiev, mas que logo seria conhecido como Constantin Stanislavski. Desde pequeno Stanislavski teve contato com diferentes formas de arte. Nascido numa família rica (e com muito mais sorte que alguns de nós), aos sete anos de idade ele ganhou do seu pai um teatro para fazer suas apresentações. Anos depois Stanislavski foi vendo que não gostava da maneira que se atuava no teatro. Achava tudo muito encenado, afetado e exageradamente artificial. Foi daí que ele criou o Teatro de Arte de Moscou para que, junto com outros atores, pudesse testar diferentes métodos existentes e desenvolver novas técnicas de atuação.
Durante anos de pesquisa Stanislavski foi percebendo que a atuação dependia de diversos fatores, e não apenas que o ator declamasse as falas decoradas. Ele foi estudando e desenvolvendo várias ferramentas de atuação que ajudariam a estimular o corpo e mente do ator. E foi a partir destes estudos que nasceu o conhecido “Método Stanislavski”. A base para qualquer estudo de atuação.
Por trazer uma renovação para o teatro as apresentações do Teatro de Arte de Moscou surpreenderam todos. Os atores eram viscerais, interagiam com os objetos de cena, os textos falavam de coisas próximas da realidade do público. Logo a notícia se espalhou atravessando continentes e influenciando toda a classe artística.
Stanislavski acreditava que a atuação e as ferramentas criadas por ele eram mutáveis, por isto ele nunca quis catalogar seu método com medo que o processo criativo ficasse limitado apenas ao que ele tinha desenvolvido.
Com o passar do tempo o Método Stanislavski foi ganhando adeptos no mundo inteiro e um dos seus alunos (Richard Boleslavski) fundou em 1925 nos Estados Unidos o Laboratório de Teatro, que causou grande impacto no país.
O Laboratório de Teatro baseava-se apenas em uma das ferramentas criadas pelo Stanislavski que era a “memória emotiva”. Algum tempo depois, uma grande atriz de teatro chamada Stella Adler levantou o questionamento sobre a impossibilidade do ator ter que diariamente recorrer a tais memórias pessoais a fim de trazer verdade para a atuação. Aconselhada por alguns amigos, em 1934, Stella Adler viajou para Paris a fim de convencer o próprio Stanislavski a catalogar seu Método evitando que ele fosse ainda mais deturpado. Durante cinco semanas eles trabalharam juntos registrando suas técnicas.
Todos os grandes diretores, atores que admiramos e professores de atuação no mundo inteiro têm como base em seus trabalhos o Método Stanislavski. Vai de cada um estudar as ferramentas existentes no Método e definir com quais se adapta melhor. Stella Adler acreditava e seguiu seus ensinamentos a partir da imaginação do ator. Lee Strasberg, diretor do famoso Actors Studios, sempre trabalhou a partir da memória emotiva. Não importa a linha que o ator irá seguir, o importante é saber que estes estudos existem, foram desenvolvidos há séculos e estão aí acessíveis a todos. Basta estudar!
Al Pacino, Marlon Brando, Bette Davis, Johnny Deep e todos os atores que você admira são o que são porque E-S-T-U-D-A-R-A-M para isto.
Atores do meu Brasil, não existe receita milagrosa, tem que estudar e ler muito porque o nosso ofício (assim como qualquer outro ofício) exige conhecimento. O ator tem em seu corpo o seu instrumento de trabalho e isto requer muita sensibilidade e disciplina. Por isto é necessário trabalhar voz, respiração, yoga, meditação, observar, conhecer e se testar constantemente.
Eu falei que o tema não caberia num único post. Vou falar para vocês algumas experiências próprias sobre atuação. Até o próximo post.

Um médico formado, depois de muito estudo e prática vai realizar uma cirurgia e o Diretor do Hospital diz: “Antes de você realizar o seu trabalho terá que passar por um treinamento com Cicrano.” E o médico diz: “Mas quem é Cicrano?”, “É alguém que vai prepará-lo para esta cirurgia em especial!” responde o Diretor do Hospital. E o médico diz: “Ué, mas eu mesmo posso me preparar, já tenho minha metodologia de trabalho e…” o Diretor do Hospital interrompe: “Regras da casa, agora para poder operar aqui é preciso passar pelo treinamento!”. E o médico
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Estudava na “renomada escola de interpretação para cinema” já havia mais de um ano e fui chamada para fazer uma participação em uma série de TV. Recebi um roteiro por e-mail e tinha que decorar o diálogo da personagem. Mas peraí… Na escola me ensinavam que “não existia personagem”… Na escola, que custava uma boa grana, também não me ensinavam a trabalhar com texto! A minha sorte é que eu estudava por conta própria e praticava no grupo de estudos que frequentava, porque por mais que estivesse encantada por tal “método” de atuação, que era o único que conhecia, a lógica ainda prevalecia: se quero trabalhar com cinema preciso aprender a trabalhar com um roteiro, decorar falas, torná-las orgânicas, enfim.