Há pouco mais de 1 mês, vazou na imprensa especializada que Peter Jackson (diretor da saga “O Senhor dos Anéis“) estaria filmando seu novo longa metragem “O Hobbit” em 48 frames por segundo. Técnica totalmente nova que, se funcionar, irá revolucionar a maneira que assistimos filmes até hoje.
Mas antes de falar sobre a revolução do cinema, vou comentar um pouco sobre a INVENÇÃO DO CINEMA. Mas tudo num sentido mais técnico do que artístico.
Vamos começar pelo começo. Você sabe o que é um frame?
Lembra daquelas máquinas fotográficas do nosso recente antigamente que para tirar fotos tinhamos que ir numa lojinha e comprar os famosos “rolinhos de filme“? Lembra que existia “rolinhos” para 12, 24 e 36 fotos. Então, para cada foto tirada significa que estavamos usando 1 frame. E 1 frame é o mesmo que 1 “fotograma“.
E o que o cinema tem a ver com isso?
Bom, vou fazer uma revelação aqui: O cinema é uma grande ilusão. – E posso provar!
O cinema é uma ilusão porque todos os filmes que assistimos são feitos a partir de uma série de imagens individuais (os mesmos fotogramas que expliquei lá em cima). Quando essas imagens são projetadas de forma rápida e sucessiva, o espectador tem a ilusão de que está ocorrendo movimento. A cintilação entre os fotogramas não é percebida devido a um efeito conhecido como “persistência da visão“, pelo qual o olho humano retém uma imagem durante uma fração de segundo após a fonte ter sido removida. Os espectadores têm a ilusão de movimento devido a um efeito psicológico chamado “movimento Beta”.
Acima veja imagens de um cinematógrafo.
E quem inventou esta ilusão toda?
O cinema existe graças a invenção do “Cinematógrafo“, criado pelos irmãos Lumiére no século XIX. A primeira exibição pública de cinema foi realizada em 28 de dezembro de 1895 em Paris.
Mas a grande questão do cinema nesta época era a impossibilidade de sincronizar imagem e som. Por isso todos os primeiros filmes eram mudos ou acompanhados por orquestras ao vivo durante suas exibições.
E as pesquisas para a inclusão do som no cinema se tornou uma verdadeira obsessão entre os especialistas da época. Até que em 1927 a Warner Bros lançou “The Jazz Singer”, um musical que pela primeira vez na história do cinema possuia alguns dialogos e cantorias sincronizados aliados a partes totalmente sem som. Daí foi uma questão de meses para a aprimorarem da técnica.
Até que no final de 1929, o cinema de Hollywood já era quase totalmente falado. No resto do mundo, por razões economicas, a transição do mudo para o falado foi feito mais lentamente. Tudo graças “Cadência“.
Aff, e o que é “Cadência”?!
Cadência é a medida do número de imagens ou quadros individuais que um determinado dispositivo óptico ou eletrônico processa e exibe por unidade de tempo. Em cinema, cada uma destas imagens é chamada de fotograma, e a cadência é medida em fotogramas por segundo (fps) ou quadros por segundo (qps).
Logo se concluiu que 24 fotogramas por segundo era a Cadência padrão para o cinema. Tanto para as filmagens quanto para as projeções dos filmes. E esta medida é amplamente usada e seguida até hoje, 82 anos depois da data que isto foi definido.
Agora conseguimos ter uma idéia da comoção criada na indústria do cinema quando o diretor Peter Jackson oficializou nesta semana que realmente está filmando seu novo longa numa nova medida de 48 fotogramas por segundo, e assim transformando tudo o que se sabe até hoje sobre técnica de cinema.
Bom, amanhã eu detalho tudo sobre o que Peter Jackson está aprontando.

Quando Glauber Rocha falou a famosa frase “Uma câmera na mão e uma idéia na cabeça” ele se referia a busca por uma identidade cinematográfica. A frase tinha a ver com idealização e a política de uma época. Jamais ele se referia a não estudar e não valorizar todas as etapas que compõem a produção de um filme.
Vou sempre martelar aqui sobre a importância do estudo e capacitação.
Em agosto de 2009, A Ana Maria tinha acabado de concluir um curso de cinema digital e nesta época ela me presenteou com uma bolsa de estudos para fazer o mesmo curso. O que foi muito importante para nós, ela havia adorado o curso, pois ele vinha de encontro com a maneira que enxergamos que deve ser a logística e organização da produção de um filme. Além disso, foi através deste curso que eu conheci vários dos talentos que estão por trás dos filmes que vocês assistem aqui no nosso portal.
Durante as aulas eu ia observando meus colegas de turma e logo fui os abordando para falar sobre o Pensamentos Filmados e o projeto do filme SOLO. Foi um belo encontro. E logo Paulo Modolo, Daniel Hestermann, Camila Nakano e vários outros se juntaram a família Pensamentos Filmados. Alias, aproveito para mandar um grande abraço para toda a turma que compõe a Escola de Cinema. Pessoas do bem e super profissionais. Também foi na Escola de Cinema que o roteiro do filme SOLO participou de um workshop onde a turma poderia ler o opinar a respeito da estrutura do roteiro. Foi uma ótima experiência.
Com o roteiro final do filme SOLO em mãos e equipe de produção completa, nós demos o pontapé inicial na produção do… JOGATINA!
Como já falamos em postagens anteriores, o projeto JOGATINA caiu como uma bomba no nosso colo. A Ana Maria trabalharia apenas como atriz, enquanto eu seria o assistente de direção. Para aproveitar a oportunidade, convidei alguns dos profissionais que eu havia conhecido durante o curso na Escola de Cinema. Mas quando me dei conta da total falta de profissionalismo da turma que estava produzindo o JOGATINA, e para não me “queimar” com os profissionais que eu havia convidado, tive que me virar e assumir a produção e direção do filme. E terminamos adiando a produção do filme SOLO.
No meio das filmagens do JOGATINA, minha amiga (dona do hotel que serviria de locação para as filmagens do SOLO) me ligou avisando que estava negociando a venda do hotel e teríamos que adiantar a data de filmagens. Sendo assim, mal finalizamos a última diária de filmagens do JOGATINA e já estávamos realizando a pré produção do filme SOLO.

Vamos começar a nossa jornada sobre os bastidores da produção do filme SOLO.
Antes de qualquer coisa, a Ana Maria, eu e toda a equipe envolvida neste projeto, estamos muito felizes com a recepção que SOLO vem tendo na internet. A nossa alegria não está vinculada a críticas positivas ou negativas, mas sim na maneira que o filme pode tocar no coração de quem assiste. Pessoalmente, fico muito satisfeito quando leio comentários com pontos de vista totalmente diferentes sobre o filme. Quando estamos escrevendo um roteiro, pensamos sempre em abrir o leque de possibilidades, sem jamais fazer julgamentos sobre os personagens ou suas escolhas.
Como ator, não foi fácil mergulhar no universo do Ângelo. Naquele tipo de solidão escolhida. É uma opção do Ângelo ser sozinho. Já eu, durante muito tempo da minha vida busquei subterfúgios para não me encontrar só. Mas todo o processo do filme me ajudou muito a entender que não era a solidão que me assustava, mas sim o medo de me encontrar comigo mesmo.
Apesar de ser o nosso trabalho mais recente, o argumento do SOLO nasceu bem antes do filme V.I.D.A., há quase 4 anos atrás.
Me lembro do dia que a idéia do filme pairou na minha cabeça. Eu estava sentado no banco de passageiros enquanto um amigo meu dirigia reclamando do trânsito. De repente eu pensei alto: “Já imaginou dois homens, de universos totalmente diferentes, que se encontram e um transforma a vida do outro. Mas depois eles vão embora.” – Meu amigo perguntou: “Se transformam como? Isto é um filme ou uma história que você viu em algum lugar?”- Eu respondi que não era nada, apenas um pensamento.
Só que estes dois personagens não saíram mais da minha cabeça. Eu pensava neles o tempo inteiro. Me lembro de estar numa conversa super legal e de repente me veio: “Nossa, um deles é faxineiro.” – Pode parecer loucura, mas o meu processo de escrever um argumento não é nada racional. Eu não sento e penso “Agora vou escrever sobre tal coisa.” – Eu posso estar num ônibus lotado, numa balada ou dormindo, e de repente vêm cenas inteiras na minha cabeça. Um quebra-cabeça nada linear. Todo confuso. Que só faz sentido mesmo quando o filme está finalizado. Alias, me permito ser extremamente romântico na minha arte. Não gosto de fazer analises sobre o que estou escrevendo. Na verdade eu gosto de pensar que todas estas vidas que escrevo com a Ana Maria já existem em algum lugar. Pensar, e em seguida escrever sobre elas, é na verdade transportar estes universos para o lado de cá.
Nunca vou esquecer quando, há anos atrás, um professor de atuação virou pra mim e disse: “Geison, seu problema é que você é romântico demais.” – Na época eu fiquei quieto, não respondi nada. Mas hoje entendo que, exceto pela maneira agressiva que ele estava me dizendo aquilo, se tratava de uma grande verdade ao meu respeito. Só o corrijo quanto ao romantismo ser um problema. Mas tenho plena certeza de que foi esta maneira romântica de enxergar a vida que me fez chegar até aqui. Sendo assim, assumo: Sou absurdamente romântico! Principalmente quanto ao meu trabalho com o cinema. Acredito sim na transformação através desta arte. Tanto de quem faz quanto de quem assiste a um filme.
Na época que pensei no SOLO, eu estava fazendo um curso de atuação para cinema e a Ana Maria era minha colega de turma. Contei pra ela sobre a idéia, e logo ela sugeriu que começássemos a nos encontrar para escrever o roteiro. Eu não tinha nenhuma prática em escrever, já a Ana Maria tinha feito curso de cinema em Londres e estudado roteiro com o Hugo Moss.
Estes nossos encontros para trabalhar no roteiro do SOLO foi o start da nossa parceria de VIDA. A Ana Maria é uma das pessoas mais empenhadas que eu conheço. Ela estuda muito, ler muito, é apaixonada por tudo que envolve o cinema. Só que diferente de muitas pessoas que eu conheci na área, a Ana Maria é bem prática e objetiva com as coisas. Ela é responsável e gosta de trabalhar com prazos. Uma nerd! E eu corri para acompanhá-la.
Deste meu amigo do carro, ganhei um livro sobre roteiros e logo comecei a ler tudo a respeito: Roteiro de filmes, livros, artigos, entrevista com roteiristas, cursos e principalmente, comecei a escrever, escrever e escrever.
É fato que a Ana Maria e eu temos uma afinidade incrível. Pois pensamos de maneira muito parecida e as nossas motivações se encaixam perfeitamente. Não existem imposições. As histórias dos roteiros simplesmente fluem. E foi deste encontro, em 2007, que nasceu o argumento para o filme SOLO e seus primeiros tratamentos de roteiro.