28 / 04 / 2011
Geison Ferreira

48 frames por segundo – A renovação do cinema (parte 1)

Há pouco mais de 1 mês, vazou na imprensa especializada que Peter Jackson (diretor da saga “O Senhor dos Anéis“) estaria filmando seu novo longa metragem “O Hobbit” em 48 frames por segundo. Técnica totalmente nova que, se funcionar, irá revolucionar a maneira que assistimos filmes até hoje.

Mas antes de falar sobre a revolução do cinema, vou comentar um pouco sobre a INVENÇÃO DO CINEMA. Mas tudo num sentido mais técnico do que artístico.

Vamos começar pelo começo. Você sabe o que é um frame?

Lembra daquelas máquinas fotográficas do nosso recente antigamente que para tirar fotos tinhamos que ir numa lojinha e comprar os famosos “rolinhos de filme“? Lembra que existia “rolinhos” para 12, 24 e 36 fotos. Então, para cada foto tirada significa que estavamos usando 1 frame. E 1 frame é o mesmo que 1 “fotograma“.

E o que o cinema tem a ver com isso?

Bom, vou fazer uma revelação aqui: O cinema é uma grande ilusão. – E posso provar!

O cinema é uma ilusão porque todos os filmes que assistimos são feitos a partir de uma série de imagens individuais (os mesmos fotogramas que expliquei lá em cima). Quando essas imagens são projetadas de forma rápida e sucessiva, o espectador tem a ilusão de que está ocorrendo movimento. A cintilação entre os fotogramas não é percebida devido a um efeito conhecido como “persistência da visão“, pelo qual o olho humano retém uma imagem durante uma fração de segundo após a fonte ter sido removida. Os espectadores têm a ilusão de movimento devido a um efeito psicológico chamado “movimento Beta”.

Acima veja imagens de um cinematógrafo.

 

E quem inventou esta ilusão toda?

O cinema existe graças a invenção do “Cinematógrafo“, criado pelos irmãos Lumiére no século XIX. A primeira exibição pública de cinema foi realizada em 28 de dezembro de 1895 em Paris.

Mas a grande questão do cinema nesta época era a impossibilidade de sincronizar imagem e som. Por isso todos os primeiros filmes eram mudos ou acompanhados por orquestras ao vivo durante suas exibições.

E as pesquisas para a inclusão do som no cinema se tornou uma verdadeira obsessão entre os especialistas da época. Até que em 1927 a Warner Bros lançou “The Jazz Singer”, um musical que pela primeira vez na história do cinema possuia alguns dialogos e cantorias sincronizados aliados a partes totalmente sem som. Daí foi uma questão de meses para a aprimorarem da técnica.

Até que no final de 1929, o cinema de Hollywood já era quase totalmente falado. No resto do mundo, por razões economicas, a transição do mudo para o falado foi feito mais lentamente. Tudo graças “Cadência“.

Aff, e o que é “Cadência”?!

Cadência é a medida do número de imagens ou quadros individuais que um determinado dispositivo óptico ou eletrônico processa e exibe por unidade de tempo. Em cinema, cada uma destas imagens é chamada de fotograma, e a cadência é medida em fotogramas por segundo (fps) ou quadros por segundo (qps).

Logo se concluiu que 24 fotogramas por segundo era a Cadência padrão para o cinema. Tanto para as filmagens quanto para as projeções dos filmes. E esta medida é amplamente usada e seguida até hoje, 82 anos depois da data que isto foi definido.

Agora conseguimos ter uma idéia da comoção criada na indústria do cinema quando o diretor Peter Jackson oficializou nesta semana que realmente está filmando seu novo longa numa nova medida de 48 fotogramas por segundo, e assim transformando tudo o que se sabe até hoje sobre técnica de cinema.

Bom, amanhã eu detalho tudo sobre o que Peter Jackson está aprontando.

06 / 12 / 2010
Geison Ferreira

Assista agora: JOGATINA – Episódio 02

Já está online o segundo episódio da web série JOGATINA.

Depois de ter assassinado a sua mãe em pleno parque, Pedro liga para a misteriosa Ester, e juntos, darão continuidade a este plano macabro.

Neste segundo episódio você conhecerá as jogadoras Ester e Ângela, que irão desputar um tórrido jogo de damas cheio de sedução.

Que plano é esse? Quem é Ester? Qual delas ganhará este jogo? Quem matou Odete Roitman?

Na verdade, JOGATINA é uma crítica divertida a respeito do comportamento psicopata que a nossa socidade esta vivendo. De uma maneira bem humorada, queremos que você pense e reflita sobre o quanto não é legal colocar o ego e vaidade acima de qualquer coisa. Porque o que vale não é ganhar, mas sim, aprender com o jogo.

Bom divertimento!

Beijos dos gurus new age eheheh!!!

09 / 11 / 2010
Geison Ferreira

Atuação!

Atuar: Consiste em imprimir, por meio de diversas técnicas, ou mesmo da pura intuição, vida e realidade a um personagem. Muitas vezes tida como fruto da inspiração ou da racionalização das emoções, é a parte específica dos artistas da cena, e que nesta aparecem, diferentemente de dramaturgos e diretores.

O que nos deixa mais feliz com este blog é poder desmistificar várias questões relacionadas ao cinema digital a partir das nossas aventuras e desventuras na área. E atuação tem um gosto todo especial, pois está diretamente ligada a base do Pensamentos Filmados. Tanto pela formação inicial que Ana Maria e eu tivemos, quanto pela importância que existe no trabalho do ator, tão imprescindível dentro de um filme, mas muitas vezes tão menos respeitado que o tripé da câmera.
O ofício do ator se deu com o surgimento do teatro há milhares de anos atrás. Até hoje existem várias teorias sobre a origem do teatro, mas nenhuma delas com comprovação exata. O primeiro ator de que se tem registro surgiu na Grécia Antiga e chamava-se Tespis. Ele criou um monólogo que fazia críticas à sociedade, apresentando-o munido de máscaras e vestido com uma túnica.

A idéia de um espaço onde um ator representa uma ação a partir de um texto, que possa entreter e conscientizar o público sobre questões humanas e sociais, foi se espalhando pelos continentes ao longo dos séculos até hoje, e tomara Deus (e a coragem dos atores), este ofício durará para sempre.

Lá por volta de 1860 nascia na Rússia uma figura de nome estranho, Constantin Siergueieivitch Alexeiev, mas que logo seria conhecido como Constantin Stanislavski. Desde pequeno Stanislavski teve contato com diferentes formas de arte. Nascido numa família rica (e com muito mais sorte que alguns de nós), aos sete anos de idade ele ganhou do seu pai um teatro para fazer suas apresentações. Anos depois Stanislavski foi vendo que não gostava da maneira que se atuava no teatro. Achava tudo muito encenado, afetado e exageradamente artificial. Foi daí que ele criou o Teatro de Arte de Moscou para que, junto com outros atores, pudesse testar diferentes métodos existentes e desenvolver novas técnicas de atuação.

Durante anos de pesquisa Stanislavski foi percebendo que a atuação dependia de diversos fatores, e não apenas que o ator declamasse as falas decoradas. Ele foi estudando e desenvolvendo várias ferramentas de atuação que ajudariam a estimular o corpo e mente do ator. E foi a partir destes estudos que nasceu o conhecido “Método Stanislavski”. A base para qualquer estudo de atuação.

Por trazer uma renovação para o teatro as apresentações do Teatro de Arte de Moscou surpreenderam todos.  Os atores eram viscerais, interagiam com os objetos de cena, os textos falavam de coisas próximas da realidade do público. Logo a notícia se espalhou atravessando continentes e influenciando toda a classe artística.
Stanislavski acreditava que a atuação e as ferramentas criadas por ele eram mutáveis, por isto ele nunca quis catalogar seu método com medo que o processo criativo ficasse limitado apenas ao que ele tinha desenvolvido.

Com o passar do tempo o Método Stanislavski foi ganhando adeptos no mundo inteiro e um dos seus alunos (Richard Boleslavski) fundou em 1925 nos Estados Unidos o Laboratório de Teatro, que causou grande impacto no país.
O Laboratório de Teatro baseava-se apenas em uma das ferramentas criadas pelo Stanislavski que era a “memória emotiva”. Algum tempo depois, uma grande atriz de teatro chamada Stella Adler levantou o questionamento sobre a impossibilidade do ator ter que diariamente recorrer a tais memórias pessoais a fim de trazer verdade para a atuação. Aconselhada por alguns amigos, em 1934, Stella Adler viajou para Paris a fim de convencer o próprio Stanislavski a catalogar seu Método evitando que ele fosse ainda mais deturpado. Durante cinco semanas eles trabalharam juntos registrando suas técnicas.

Todos os grandes diretores, atores que admiramos e professores de atuação no mundo inteiro têm como base em seus trabalhos o Método Stanislavski. Vai de cada um estudar as ferramentas existentes no Método e definir com quais se adapta melhor. Stella Adler acreditava e seguiu seus ensinamentos a partir da imaginação do ator. Lee Strasberg, diretor do famoso Actors Studios, sempre trabalhou a partir da memória emotiva. Não importa a linha que o ator irá seguir, o importante é saber que estes estudos existem, foram desenvolvidos há séculos e estão aí acessíveis a todos. Basta estudar!

Al Pacino, Marlon Brando, Bette Davis, Johnny Deep e todos os atores que você admira são o que são porque E-S-T-U-D-A-R-A-M para isto.

Atores do meu Brasil, não existe receita milagrosa, tem que estudar e ler muito porque o nosso ofício (assim como qualquer outro ofício) exige conhecimento. O ator tem em seu corpo o seu instrumento de trabalho e isto requer muita sensibilidade e disciplina. Por isto é necessário trabalhar voz, respiração, yoga, meditação, observar, conhecer e se testar constantemente.
Eu falei que o tema não caberia num único post. Vou falar para vocês algumas experiências próprias sobre atuação. Até o próximo post.