07 / 03 / 2012
Ana Maria Saad

A lucidez não está na normalidade

Conheci o Geraldo pelo Facebook, assim como conheci outras pessoas de bem, lúcidas e conscientes de si. 99,9% delas são os “transtornados psíquicos”, porque definitivamente a lucidez não casa com a “normalidade” insana em que vive nossa sociedade! Leiam o texto abaixo de Geraldo e reflitam!

Texto por: Geraldo Varjabedian

“Em mais de uma década envolvido com psicólogos, psiquiatras e, principalmente, transtornados, ansiosos patológicos, surtados, chapados, deprimidos, bipolares, multipolares, esquizóides, suicidas, paranóides e congêneres conheci muita gente legal e, se não aprendi o que é diversidade com esses, não aprendo mais…

Gente simples, gente arrogante, gente esquisitíssima, gente que talvez, muitos até cumprimentassem ou convidassem para um suco num boteco, mas jamais para lanchar em casa com seus filhos…

Aliás, isso ficou muito claro nesse processo: quanto mais “normais” as pessoas, mais preconceituosas! Vai ver é por isso que as famílias são as primeiras a negar a situação, cobrar, humilhar, abandonar…

Pois vou lhes dizer uma coisa, e nela me incluo: sem exceção, todos os “pirados” que conheci são ou eram geniais… Visionários, artistas, figuras de uma inteligência rara, poetas, sensitivos, mágicos, filósofos, dramáticos, gênios, musicais, delirantes, lindos!

Pessoas que fora das crises, superam de longe os talentos convencionais… É preciso dizer: nas crises somos tudo que ninguém quer por perto. É nas crises que descobrimos quem está mesmo conosco porque é nas crises que os mais próximos nos abraçam ou jogam longe como brinquedos velhos

A maioria de nós, os “pirados” é de pessoas sem casca, gente de coração em punho. Por isso, não é nas crises que as pessoas se apaixonam por nós. É nos momentos de genialidade, quando a sensibilidade desponta sem rédeas, a criatividade se esparrama e como fios desencapados que somos fazemos a conexão entre o chão tolo e o Universo…

O que as pessoas esquecem é que os que sofrem de transtornos psíquicos não escolhem o momento em que vão sentir isso aí que poucos entendem: a tal dor psíquica… É um mundo louco esse, onde as pessoas são capazes de toda compaixão por atropelados, fraturados, cancerosos, cardíacos, sangrentos, perfurados, enfim, portadores de dores óbvias, mas quando um depressivo, por exemplo, não consegue sair da cama porque está com o peso do mundo no peito e uma dor insuportável e paralisante por dentro, há quem aponte e diga: frescura!…

A pergunta que fica é: por que algo que permeia a história da humanidade, que acometeu a maior parte dos gênios conhecidos é tratado, nessa era de banalidades, como inadequação, doença? Afinal, que mundo é esse em que o modelo de sucesso é frio, seco, calculista, mecânico, maquiavélico, quase comparável à psicopatia e, no entanto, é tratado como virtude?

Geraldo Varjabedian

Fotos: Arquivo pessoal

17 / 04 / 2011
Geison Ferreira

Uso de Maconha pode adiantar o aparecimento da esquizofrenia

 

Fumar maconha pode adiantar em quase três anos o aparecimento de esquizofrenia e de outros quadros psicóticos.

A conclusão é de uma revisão de 83 estudos científicos já publicados sobre a relação entre o consumo dessa erva e o transtorno.

Os resultados, divulgados no periódico médico “Archives of General Psychiatry”, dão mais munição a pesquisadores que se opõem à liberação da substância ilícita.

No total, os pesquisadores das universidades de New South Wales, Austrália, e Emory, EUA, avaliaram dados de mais de 22 mil portadores de distúrbios psicóticos _sendo 8.167 deles usuários de maconha.

A doença aparecia em média 2,7 anos (cerca de 32 meses) antes entre quem consumia a erva do que nos membros do grupo-controle.

“Acredito que essa relação seja de causa e consequência, e a maconha tem um papel importante [no aparecimento precoce do transtorno] em certas pessoas”, disse à Folha o psiquiatra australiano Matthew Large, um dos autores do estudo.

Uma hipótese é que pessoas com predisposição genética para esquizofrenia são mais suscetíveis à influência da maconha.

Nelas, os quadros psicóticos poderiam ser desencadeados pela alteração na concentração de neurotransmissores como dopamina e serotonina, causada pela droga, o que desregularia o funcionamento cerebral.

“Pessoas com histórico familiar de esquizofrenia devem ser instruídas a jamais usar essa droga. Não dá pra arriscar”, diz Hélio Elkis, coordenador do Projeto Esquizofrenia do Hospital das Clínicas de São Paulo.

Segundo o psiquiatra, quanto mais cedo aparece a doença, pior o prognóstico. “Se surge na adolescência, o cérebro não teve tempo de se desenvolver completamente.” Isso piora o deficit cognitivo, próprio do transtorno.

 

ANSIOLÍTICO

Mas para Marcelo Niel, psiquiatra do Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes da Unifesp, deve-se ter cuidado ao fazer a relação direta entre esquizofrenia e uso da cânabis.

“Em alguns pacientes com vulnerabilidade, isso pode acontecer, mas há fatores que devem ser considerados”, ressalva.

Niel afirma que, como a esquizofrenia geralmente começa quando os indivíduos são adolescentes ou adultos jovens, pode ser que o consumo da substância esteja mais relacionado a um hábito do grupo social naquela idade do que a uma causalidade.

“E muitos pacientes esquizofrênicos começam a fumar maconha para aliviar os sintomas do estágio inicial da doença, como ansiedade e depressão”, diz.

Matthew Large, o autor do estudo, sugere: “Jovens deveriam evitar o uso de maconha ou, mais precisamente, deveriam se conscientizar sobre os seus riscos.

Como informá-los disso já é outra história”, completa.

 

Fonte: FOLHA SP