21 / 12 / 2009
Pensamentos Filmados

Depoimentos V.I.D.A.

Um espelho, uma reflexão

“Quando recebi o diagnóstico da Depressão, no final de março deste ano, não tinha ideia do que esperar. Mas sabia que o que vinha daquilo, diariamente, deveria ter um espaço para ser exposto e compartilhado. Optei por um blog, porque gosto da palavra escrita. E foi através do blog, buscando outros semelhantes que descobri o blog da Lys (www.depressaoassassina.blogspot.com) e, dentro dele, o filme V.I.D.A.

Foi um impacto. A primeira cena da personagem Ana Silvia, sem vida, sem ânimo, sem vontade de sair da cama, de trocar de roupa, de cuidar da filha, em choro compulsivo, era o primeiro momento do meu dia. Eu estava naquele estado. De inércia absoluta. De não-fazer. E de não saber explicar o porquê. Aquela cena era o meu espelho.

Sabia que o roteiro era autobiográfico e pensei: “como é possível que uma mulher jovem e linda, com uma capacidade de produção criativa, atriz, pode sofrer de uma doença como esta e chegar a um estágio em alto grau a ponto de correr risco de morte?”.
À medida em que o tempo passava para mim e, mesmo com o tratamento, os sintomas da Depressão, do Transtorno Bipolar e do Pânico se manifestavam. Então eu compreendia a fragilidade e a imobilidade diante de uma enorme descompensação. Nem sempre controlada pelos remédios. Mas a vida da personagem Ana Silvia, tal qual a de Lys ou da Ana Maria caminharam para o enfrentamento: uma luta insana e um desfecho de esperança e superação.

E do mesmo modo eu sigo. Não é fácil não. Quando penso que tudo está bem, é preciso um novo começo.

É um dia a cada vez e, talvez, por isso as reuniões do grupo documentadas no filme sejam de extrema importância. No fundo, são catarsis, como o meu blog ou o da Lys. Esta percepção eu só tive depois de algum tempo, quando vi que, sem verbalizar e trocar experiências eu não iria para lado algum.

O que é preciso fazer? Depois de quase um ano e ainda longe da cura, se é que acontecerá um dia, entendo que o primeiro passo é ter consciência da doença. Encará-la como tal.

Não ter medo do preconceito alheio, buscar o melhor tratamento e formas de administrar as crises. Não ter pudor em pedir ajuda, em buscar a compreensão da família e amigos, tanto para os dias “sim” como para os dias “não”. E não ter pressa e sim, disciplina. Ser cúmplice de quem ampara: médicos, terapeutas, gurus, guias espirituais. Não importa de onde vem o auxílio, o importante é acreditar no benefício.

E, principalmente, não silenciar. Ana Maria encontrou no filme V.I.D.A. uma forma de quebrar o silêncio e externar a sua angústia, a sua dor.

Do mesmo modo eu faço o mesmo com o meu blog. E isto, sem dúvida alguma, nos ajuda trilhar este caminho. Difícil, mas possível.”

Tê Barretto, jornalista e publicitária
www.jardimdeonzehoras.blogspot.com





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Que depoimento lindo e verdadeiro!

“Nossa, para mim, não há nada que simbolize mais a maneira que enxergo o cinema do que um depoimento como este.
Foram meses de trabalho, questionamentos, pessoas criticando o roteiro, dizendo que estavamos equivocados apresentando a depressão de forma “leviana”, que um depressivo nunca teria capacidade de montar um grupo como o V.I.D.A., que a personagem se veste de maneira “errada” pois depressivos não usam brincos e bolsas, que as pessoas não entenderiam o estado da personagem pois não havia sinais de que ela poderia cometer um suicidio…

V.I.D.A foi uma batalha! E o que representa a vitoria dele não é um prêmio ou o reconhecimento de alguém influente que está na midia, e poderia nos contratar, isto é consequência. Vitoria é saber que o nosso sonho foi capaz de unir pessoas, e que o resultado do trabalho desta união nos levou a um filme verdadeiro e acessivel que conseguiu tocar e ajudar alguém que a gente nem conhece a se questionar e melhorar. Isto sim é o que realmente vale para mim.”

Geison Ferreira (diretor do V.I.D.A., sobre o depoimento da Tê Barreto. Ele nem sabe (agora deve saber, né!) que estamos publicando este seu comentário! hehehehehe)

Comentário

9
 
  • 22 / 12 / 2009
    BipolarBrasil

    Um filme rico em todos os sentidos. E excelente a idéia de disponibilizar seu conteúdo na internet. Certamente muitos poderão refletir acerca das doenças mentais. Aproveitei e repliquei a dica aos meus leitores. Sucesso e boas festas.

  • 08 / 01 / 2010
    ana maria saad

    Como é bom saber disso! Apesar das dificuldades é esse tipo de feedback que nos dá cada vez mais ânimo de continuar a produzir!

  • 09 / 06 / 2010
    ana maria

    Ola …Ana parabens muito legal sua iniciativa , sou uma depreciva por proplemas emocionais amo demais um cara e nao sou correspondida nao tenho com quem comverça mais tambem nao quero , ja rezei muito acho que deus esqueseu de mim ,quase dou um ponto final nessa dor que eu cinto no meu coraçao ……mais tenho dois filhos…sera que v/c pode mim ajudar………….? perço sigilo dos meus dados perçoas principalmente o meu email ok obrigado 09/10/2010

  • 14 / 06 / 2010
    Moabe

    meu desabafo :O SILÊNCIO SE TORNOU MEU MELHOR AMIGO
    nunca me senti tão só na vida, com um vazio que não sei explicar de onde vem, como se todos meus amigos tivessem me dado as costas,eu procuro um e não acho,isso é HORRÍVEL ,será que não agrado mais as pessoas ou me fechei demais e não estou dando espaço para ninguém se aproximar de mim, ou será castigo de Deus, a pior coisa é você se sentir só,ter que mendigar amizades,parece que o mundo te deu as costas,realmente não sei até quando posso suportar será que só tenho amigos na hora de sair.Deus o que está acontecendo me diz, de alguma forma mais me manda uma resposta e ligeiro por favor, pois não aguento mais isso 4 anos aqui em jequie e apenas 1 ano feliz, sinto que minha vida acaba aos poucos,será pelo fato de saí pouco de casa de minha mãe me prender demais estou sufocado ,pareço prisioneiro de mim mesmo,minha alma grita por liberdade,chama por amizades,pelo menos uma pessoa pra quebrar minha rotina pra estar comigo no dia-a-dia, será que sou tão amargo pra está sem amigos nenhum? preciso de uma explicação .Deus sei que o Senhor existe então me dê uma explicação,porque tanto sofrimento ? tantos contos quebrados me diz o Senhor que sabe de tudo e conhece a mim melhor do que eu mesmo , hein de onde vem tudo isso.

    TÃO SÓ. TÃO TRISTE.

  • 15 / 06 / 2010
    Geison Ferreira

    Moabe apesar de não sofrer com sindrome do pânico nem depressão. Me identiquei com essa questão da solidão. Durante anos fiz estes questionamentos sobre amizades e sempre quis estar rodeado de pessoas. Com o tempo fui me descobrindo, e aprendendo a conviver comigo mesmo (sei que as vezes parece impossivel). No meu caso, quanto mais “amigos” menos eu era eu mesmo. Sempre fui “o amigo de fulano”, “o brother de alguém” e isto me afastava do que realmente eu era. Irracionalmente era uma fuga, uma maneira de não olhar para as coisas que eu precisava resolver em mim mesmo. Aos poucos fui me desvendando, me descobrindo. É uma realidade: Nascemos e morreremos sozinho! Parece cruel, mas é uma verdade.
    De verdade, hoje eu tenho enorme prazer em estar sozinho, ir ao cinema sozinho, passear sozinho… Se não tivesso olhado para mim e trocado o multiplicar por somar (ser mais seletivo com as pessoas que me rodeiam) eu nunca teria chegado ao Pensamentos Filmados, nunca poderiamos estar tendo esta conversa, esta troca.
    Talvez valha a pena trocar de alvo, mire em você! Não nos outros sabe.
    Obvio que no seu caso tem o agravante da doença, mas pelo que vi você já está se tratando com medicamentos. Não tenha medo de se olhar, se enxergar. E faça isso sem pré-conceitos. Grande abraço.

  • 23 / 06 / 2010
    JÔ... e só...

    Tenho um diário digital e costumo escrever um pouco quando sinto necessidade de registrar o auge de todo o meu sofrimento. Atualmente estou sendo acompanhada e medicada por Psiquiatra. Lembro de muitos outros episódios em minha vida, muito piores do que os que enfrento hoje (me parece) e quase morro com sintomas de hipertensão e cefaléia enchaquecosa com aura. Não pensava em suicídio, mas meu corpo não queria viver… Alguma doença levaria-me de uma vez por todas. Foi há anos, mas parece que foi ontem, que se arrasta, que está presente e nunca me deixou, essa angústia e essa luta pela vida, e até pela morte, de forma inconsciente, perdura até hoje. É a primeira vez que me identifico com pessoas que realmente demonstram sintomas semelhantes aos meus. Vejo minha família, meus amigos tão bem dispostos para a vida e os considero verdadeiros heróis. Penso: “- como conseguem essa energia para se moverem dessa forma?!”. Atividades tão simples sendo desempenhadas, mas que para mim é uma verdadeira afronta, pois certa vez até os paralelepípedos de uma rua, que estavam dificultando o meu caminhar, fizeram-me chorar copiosamente. Tenho uma filha daquela idade, com aquele jeitinho, esperta para se virar sozinha enquanto busco forças para começar mais um dia. Fiquei petrificada com aquele início; já estive exatamente naquela circunstância, mas quando vi de fora, através do documentário, morri de medo de lesar minha filha de alguma forma, um ser tão dependente de mim, mas que parecia o contrário, eu dependia dela, no momento em que chamou a mãe para o café. Deveria ser o contrário… Quanta responsabilidade imputada a um serzinho a quem tanto amamos não é? A quem tanto precisamos e queremos proteger. Não há qualquer resquício de crítica nestas observações. Há, sim, uma culpa incomensurável, bem característica desta doença maldita. Obrigada meu Deus por ter apresentado este caminho para mim, e obrigada a todos os que contribuíram para que este documentário fosse possível, e publicado, e tão acessível. Tenho um blog, mas vou cuidar dele com mais carinho e o apresento a quem queira visitá-lo. Outro dia passo por aqui novamente. Um abraço apertado a todos. Mais uma vez obrigada.

  • 24 / 06 / 2010
    Ana Maria Saad

    DeJo,
    Emocionante seu depoimento… tanto que qualquer coisa que eu disser nesse momento…
    depois eu volto!
    obrigada!
    bjoka

  • 25 / 08 / 2011
    ederson santos aquino

    eu tenho 20 anos de idade desde dos meus 15 sofro de depressao muito forte
    ja pensei vairas veszes em tirar minha vida , mas deus esta comigo e nao deixa eu fazer isso,eu tenho 1 filho lindo que tive que separar dele por causa da depressao ,queria ser o melhor pai do mundo,ninguem me entende minha depressao falam que é frescura,preguiça etc..
    voces estao de parabens de prublicar essa materia conseterça pode ajudar muitas pessoas
    depressao e uma doneça e preçica ser tratada

  • 26 / 08 / 2011
    Ana Maria Saad

    oi ederson!
    nesse link http://www.pensamentosfilmados.com.br/br/sexo-e-tabu desse site mesmo, tem tudo sobre depressão e tratamentos, inclusive gratuitos!
    eu falo mto sobre depressão aqui no site pq eu tb sofro dessa doença chata desde criança! e tb sofri e sofro preconceito, mas acredite, da pra melhorar! e a depressão se bem aproveitada t ajuda a ver o mundo com outros olhos! busque a medicina integrativa, q usa alem dos remedios outros tratamentos como acupuntura, massagem, terapia corporal, yoga, etc. com uma combinação de tratamentos vc melhorara! a questão é vc ir atras, experimentando pra ver aqueles tratamentos e profissionais q tem a ver com vc!
    da pra melhorar sim! e explique para as pessoas q depressão nao é frescura, é doença!
    c cuide!
    bjoka

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